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Cruzando El Salvador, Honduras e Nicarágua

Saímos da Guatemala e cruzamos El Salvador debaixo de muita chuva. A verdade é que a chuva nos acompanhou por várias semanas, desde o México, por quase todos os dias que estivemos pela Guatemala e não foi diferente em El Salvador. As estradas mostravam o quanto havia chovido com muitas pedras que deslizaram dos morros e acabaram no meio da estrada. Chegamos em Mizata ao entardecer e podemos perceber que nosso orçamento com estadia seria facilmente extrapolado! Resolvemos tentar um lugar pra ficar em El Zonte onde haveria mais opções de pousadas, mas mesmo assim não baixou dos 25 US$.
A praia estava muito suja depois de tanta chuva, assim como o rio que corria para o mar deixando a água com cheiro e cor desagradáveis. A proprietária da pousada que ficamos não era nem um pouco simpática o que acabou facilitando nossa tomada de decisão de buscar um outro lugar mais ao sul em El Tunco. Pedi algumas dicas para meu amigo Rubinho, especialista em El Salvador que nos levou para a pousada do Pupa, bem pertinho da La Bocana e Sunzal. Dei azar, tinham boas ondas mas um campeonato de surf me impediam de ir pra água por ali. Acabamos buscando ondas pela Punta Rocas e pelo Km 59. Nessa última acabamos encontrando o Hunter e a Laila, casal que estava em sua van pelo México. As ondas estavam subindo e segui o conselho de ir pra Las Flores.
Em Las Flores conseguimos acampar na frente da onda, mas a chuva não nos deu muita trégua. O que salvou nossa rápida passagem relâmpago pelo país foram as boas ondas em uma água bem suja… Ficamos quase uma semana! Até que acordamos depois de muita chuva e decidimos: foi! Vamos até a Nicaragua.

Buscando ondas por El Salvador
Surfistas en la Vía em El Salvador
acampamento em Las Flores de baixo de muita chuva!

 

Ótimo uso para nosso guarda sol!
A Caína não parece ter gostado dessa tal “estação das chuvas”
Preparando o café na frente das ondas de Las Flores

Cruzando Honduras

Teríamos que fazer aduana e imigração da saída de El Salvador, entrar em Honduras, cruzar o país e passar mais uma fronteira! O engraçado é que ao nos aproximar de cada fronteira, vários “tramitadores” (o nome dado para pessoas que querem “ajudar” a fazer os trâmites fronteiriços) começam a tentar cercar o carro, eles vêem uma placa da Califórnia e imaginam uma super oportunidade de fazer uma grana em cima de uns gringos desavisados… é ridículo! teve um que nos viu passar, fez sinal par pararmos, como se fosse uma autoridade e, não satisfeito, pegou uma moto e começou a nos seguir! Sempre dizemos que não nos interessamos pelos serviços deles, mas eles não desistem facilmente!

Ah! Honduras apresentou as piores estradas até agora! Muitos buracos e vários trechos em construção que nos fizeram parar e esperar, muito! Já tínhamos decidido que apenas cruzaríamos o país, considerado um dos menos seguros das Américas, e o trecho de uns 200 km foi percorrido em pouco mais de 6 horas. As aduanas em Honduras não foram complicadas, seu funcionários foram bem solícitos e o procedimento tanto de entrada, quanto a saída do país foram rápidos. Ah, paramos em uma cidade ao longo do caminho e almoçamos em um Burger King, primeiro fast food da viagem e conseguimos chegar à fronteira da Nicarágua antes de escurecer.

Problemas na fronteira da Nicarágua

Foi umas das aduanas mais difíceis que passamos. Muito desorganizada. Guardas nos solicitaram minha carteira de motorista e o título do carro. A carteira entreguei uma das cópias coloridas plastificadas que havia feito antes de sair dos Estados Unidos (na realidade eu só usei a cópia até agora!) mas o título do carro não teve jeito, teve de ser o original. Os policiais começaram a olhar nosso carro e como estava muito carregado disseram que teriam de “scannear” o veículo! A Caína teve de ficar junto ao prédio da imigração e o policial entrou no carro ao meu lado e me dirigiu até o scanner gigante. Depois do procedimento, voltei ao mesmo lugar procurando a Caína que devia estar super preocupada! Depois de uma longa espera, e nada dos meus documentos, comecei a procurar o cidadão para que ele me devolvesse. Esperamos muito tempo até que ele apareceu com as imagens do scanner querendo saber o que era que tinha no reservatório do líquido do radiador. Eu disse: Fluido de radiador. Ele chamou um outro “técnico” que começou a fazer perguntas, pediram para que eu abrisse o porta malas, pois eles queriam saber o que era esse “liquido estranho” que aparecia na foto. Era nosso galão extra de gasolina. Não satisfeitos, trouxeram um cachorro farejador. Já era noite e chovia! E nada de termos nossos documentos liberados. Temos certeza que tentaram nos “segurar” o máximo possível tentando tirar alguma propina… Horas depois recebi os documentos e pude passar para fazer o documento de importação temporária da Maria Gasolina. Era noite fechada e com chuva! Ao sair do prédio da aduana, fomos parados em uma cancela por dois guardas, um deles pediu nossos passaportes, documento do carro e que eu abrisse o carro para que eles vissem o que havia dentro. A Caína teve uma reação expontânea e começou a gritar com os policiais: O que?!?! Vocês fazem a gente ficar umas duas horas esperando, revistam o carro e ainda querem ver tudo de novo?!?!?! Eu tentei acalmá-la, mas a reação de gritar com eles deu resultado! Eles nos deixaram partir sem ver documento algum, muito menos abrir o carro para ser revistado!! Mais pontos pra Caína!!!
Agora estávamos na Nicarágua. Era noite e não havia vagas em nenhum hotel na pequena cidade fronteiriça. Dirigimos mais 60 km até a cidade mais próxima: Chinandega. Encontramos um bom restaurante, jantamos pizza com cerveja, e depois de muito procurar, achamos vaga em um hotel. Isso já devia ser umas 10 horas da noite. Quebramos nossa regra de NÃO dirigir à noite, graças aos trâmites aduaneiros nicaraguenses.

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