Economizar finanças

Como financiamos nossa Road Trip

Possibilidades

Finanças. Esse assunto parece ser um tabu! E causa muita curiosidade, principalmente para quem também quer fazer uma longa viagem por aí, quem sabe uma road trip? Sabemos de casais viajantes que sofreram até ofensas em redes sociais, acusados de que só ricos podem, tendo dinheiro é fácil… Uma pena, mas acontece. Vamos ser diretos: claro que precisa ter dinheiro, por outro lado, encontramos viajantes vivendo com mais e com menos. Menos dinheiro e muito menos coisas! Tipo uma mochila e carona. Há quem trabalha na viagem, em restaurantes ou hostels em troca de acomodação – não precisa ser um trabalho digital, você pode vender bens para financiar sua trip (como fizemos), ou planejar para longo prazo, juntando dinheiro com foco e persistência. Uma coisa é fazer uma viagem por algum tempo, como nós, com um orçamento +- fixo e outra é ser um nômade digital, que seria trabalhar remotamente e viver nômade/viajando. Para qualquer opção, é importante ter desprendimento e um bom pé no chão.  Para planejar realisticamente suas economias e realizar uma vida sem residência fixa, e ter coragem para as incertezas do recomeço, porque com certeza será diferente – no mínimo você será diferente. Então, para pensar sobre como viabilizar, temos que olhar para o que temos nas mãos. Colocar na balança os compromissos e vínculos atuais, se tem parcelas/prestações, se tem ou não filhos, o que se está disposto a encarar, qual nível de comodidade se quer ter na viagem (muito importante!), por quanto tempo e o quanto se está realmente a fim de se organizar para fazê-la. Tem formas bem econômicas de viajar e lugares bem mais baratos que o Brasil para se viver…

Nosso lar embaixo de uma palapa. Simples e gostoso!

 

E a Roadtrip da Califórnia à Patagônia?

No nosso caso, tudo aconteceu num misto de oportunidade, desejo e planejamento. Nós dois tínhamos esse sonho e ficávamos paquerando viagens e viajantes em suas roadtrips pelo mundo, falando de um dia fazer algo semelhante. Nesses devaneios de conversas longas no café da manhã, começamos a calcular tudo que gastávamos vivendo no Brasil, estimar quanto se gastaria em outros países, como seria uma viagem baixo custo, quais as formas de conseguirmos os recursos, se teríamos o conhecimento para trabalhar online, para quem, como, etc. Quem sabe um patrocínio? Ficávamos literalmente sonhando e levando esse sonho a sério, mesmo sem saber quando poderíamos realizar ou como viabilizá-lo. Até que surgiu a oportunidade de vender a imobiliária em meio a crise e daí o sonho meio que olhou pra nós e disse: vão encarar?! Depois de uma leve tremedeira e frio na barriga, encaramos! Decidimos parar com tudo que estávamos envolvidos e demos largos passos de desapego: desapego emocional com projetos em andamento e seus possíveis futuros promissores, da segurança do conhecido, de nossas coisas pessoais, nossa vidinha e laços, do nosso cantinho tão gostoso no Campeche, e do nosso gatinho amado que teve que ficar com a avó (minha mãe), de nossas famílias e amigos e nos alimentamos de coragem para encarar uma vida nova, cheia de imprevistos, aventuras, novidades, simplicidade e ensinamentos que nem sonhávamos! Saímos completamente da nossa zona de conforto, e ainda tínhamos que encaixar a vida em um orçamento limitado para que pudéssemos realizar toda a façanha! Ah, a escolha da viagem ser na América Latina foi em função do custo ser mais baixo que no Brasil. Não poderíamos ir para Europa, Austrália, ou outros lugares de custos mais altos. A escolha de acampar segue o mesmo raciocínio de economia e vida baixo custo. Não fomos ao Alaska, por exemplo, porque excedia nosso orçamento, essa ida incluía além de custos com a viagem, custos com visto para entrada no Canadá… Inclusive diminuímos o tempo de estada nos EUA, porque estava muito caro e estávamos vendo nossas economias sumirem!

Free camping ajuda a economizar…

 

U$ 1000/mês, será que dá?

Conversamos com outro casal que também esta fazendo uma roadtrip – o TravelandShare – e eles nos disseram ser possível ficar nos U$1000/mês na America Latina. Economizamos bastante ao longo de todo primeiro semestre de 2016 e definimos a viagem para agosto . Nossa vida já era simples e ficou mais econômica. A renda maior veio dos negócios do Lú. Aplicamos o  valor total que juntamos, e recebemos parcelas mensais que pingam mensalmente dos negócios do Lu, tentamos manter nossa média próxima dos U$1000/mês – nossa meta, valor que calculamos para fechar aproximadamente 1,5 anos de viagem. Criamos o blog Por la Carretera para nos ajudar a ter uma renda através das leituras (por favor, compartilhem, comentem, e cliquem nas propagandas!! 🙂 ) buscamos possíveis anunciantes, vendemos fotos pela internet, oferecemos nossos serviços nos locais que visitamos (eu de arquiteta e o Lú de fotos para estabelecimentos e criação de sites) e temos algumas roupas da Cog para vender. Queremos ficar o máximo de tempo na estrada, com a maior tranquilidade possível, sem precisar nos privar de muita coisa e podendo curtir os locais que visitamos. Não é fácil ter tudo isso, mas a gente tenta!! Vai saber quando – ou se – teremos outra oportunidade como essa…

Já refletiu sobre o que cada um trás em sua bagagem?? Confere aqui um post com reflexões sobre os pesinhos de cada um…

 

Gerenciando os custos da Carretera

Para cuidar nossos gastos usamos dois aplicativos muito bons, um é o Monefy, que é simplesmente fan-tás-ti-co: neste vamos adicionando de forma muito simples e na moeda e idioma que você quiser, os valores gastos no dia-dia, além dele possuir a forma orçamento (que é a que utilizamos) onde fixamos um valor mensal e ele mostra a média que temos que manter diariamente, como também o valor já gasto no mês e quanto ainda temos para nos manter dentro do valor estipulado, ele ainda exporta como planilha de excel, funciona offline e é gratuito!! É ou não um sonho de aplicativo?? (se quiserem economizar ou controlar suas finanças, super recomendo).

O outro é o XeCurrency, que é um app de variação cambial, onde vemos quanto cada moeda esta valendo em relação ao dólar e ao real, facilitando nossa vida nos cálculos de conversão e proporção de preços de serviços e produtos. Ele também é gratuito, funciona offline e esta sempre se atualizando.

Nós ainda não conseguimos ficar nos U$1000 redondo. Nossa média tem sido aprox. U$1200. Em janeiro, se tirarmos o investimento nos pneus da Maria, ficamos em U$1100 (o valor dos pneus já era um custo previsto no planejamento da viagem, mas deixamos propositalmente para trocar no México por ser mais barato que nos EUA – mas o coloquei na planilha de custos igual!). A gente queria conseguir economizar bastante para incluir Cuba e fazer a trilha em Torres de Paine (ainda incertos) tá parecendo difícil, mas temos esperança de até lá fazermos dinheiro com o blog ou pela estrada.

Lú trabalhando pro nosso Blog Por la Carretera

Quando vemos que estamos saindo do orçamento, analisamos onde mais gastamos e tentamos reduzir. Por exemplo, em março acabamos comendo mais em restaurantes em Guanajuato, porque choveu muito e estava difícil de cozinhar, então chegamos em San Miguel de Allende e dá-le fogãozinho e recusa de convites dos amigos (já temos amigos viajantes que vamos cruzando em diversos campings) para sair para jantar… é o jeito. Ou então se o gasto está alto em gasolina e pedágios, ficamos mais tempo em um mesmo lugar pra segurar o cofrinho!

Usando e abusando do nosso fogãozinho Coleman Dual Fuel

O que pensamos quando nos damos conta que nosso orçamento é relativamente restrito (quando falamos para viajantes amigos todos se impressionam e perguntam: para os dois?? e nós respondemos: três, tem a Maria Gasolina 😛  e que talvez a viagem não dure tanto quanto gostaríamos é que na pior das hipóteses, vendemos a Maria e compramos duas passagens de volta ao Brasil. Então, a pior das hipóteses é curtir o que estamos vivendo ao máximo, e acabar quando acabar. Nada mal, né? Adoro fazer este tipo de reflexão: qual a pior coisa que poderia acontecer? Ahh, isso! Ok. O pior, normalmente, nunca é tão ruim quanto parece…

Nossos investimentos nos dois primeiros meses Por la Carretera:

Gostou de conhecer um pouquinho mais sobre a gente e nosso gerenciamento da Carretera? Deixe aqui seu recado para que possamos melhorar mais e mais nosso blog!!

 

Veja Também:

 

Que tal conhecer os vinhedos do Valle de Guadalupe na Baja Califórnia?

 

 

 

 

 

 

 

 

7 dicas para se Economizar Viajando!                     

    8 Responses

  1. Adorei o post!! Da mais vontade de pegar a estrada!!

    1. Que legal Caquito!!
      Como é bom saber!!
      Obrigada por compartilhar aqui com a gente! 😀
      Beijãoo

  2. Que aula de finanças!!! Agora com o aplicativo não tenho mais desculpas para não viajar…
    Tá muito legal este blog…curtindo muito…beijos

    1. Obrigada Mamis!
      Sabe que eu sempre tive uma queda por planilhas e listas, né? hahahaha
      E adorei tua atitude! É isso aí! Sem desculpas, bora decidir o que se quer, priorizar e planejar!
      Tem todo meu apoio..
      Beijão nossos!!
      Cá e Lu.

  3. Parabéns ao casal! Vocês me inspiram a sair da comodidade diária hehe. Tô juntando grana mensal pra, quem sabe, fazer um mochilão de 6 meses pela AL ou Ásia.

    Mas o que me freia é o medo de perder a pouca estabilidade financeira que tenho e, principalmente, ficar longe da minha família.

    Só uma pergunta: vocês estão pagando seguro saúde?

    Boa eterna viagem (:

    1. Que legal saber que estamos conseguindo inspirar pessoas a ver (e viver) a vida de uma forma não tão “convencional”. Não foi fácil pra gente, tanto a questão “estabilidade” quanto o desistir de tudo que tínhamos plantado no Brasil. Quanto à família, com a internet conseguimos ficar mais próximos e manter contato com frequência.
      Nos pesa mais saber que nossos avós estão velhinhos e estamos longe…
      Acho que a ideia é planejar. Juntar para viajar e se possível deixar alguma verba guardada para um “recomeço”. Vemos muita gente que trabalha ao longo da viagem (garçom, recepção em hostels, aulas de inglês…) achamos que os primeiros passos são os mais difíceis: a decisão, o largar emprego etc.
      Ah, não temos seguro saúde. Tínhamos o seguro do cartão de crédito enquanto estávamos nos Estados Unidos (valia por 60 dias com a compra das passagens).
      Estamos “por aqui” se pudermos te ajudar de alguma forma…
      Torcemos para que consigas realizar teus sonhos!
      Abraços Luciano & Caína

  4. Incrível a história de vocês, inspiradora e bem real! Parabéns pelos posts aqui, são bem explicadinhos! Desejo viajar o mundo com meu marido só que em nossas motos e ver blogs como o de vcs realmente dá muita vontade e coragem!

    1. Que legal teu retorno Alinne! Ficamos muito felizes em inspirar pessoas a buscar seus sonhos! Isso de moto mesmo!! Muito legal, já vimos muita gente de moto (até de bicicleta!). A experiência é incrível e enriquecedora, vocês não vão se arrepender. Entre dias difíceis, os dias bons tem ganhado disparado!!!
      Beijos Caína e Lu

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *